Um “parceiro que a rua literalmente me deu” (axé, galera intrépida que fez épica a esquina inesquecível!), o bravo Ernesto me presenteou com este desenho que ele mesmo fez. Porque ficou sensibilizado com a admiração que nutro por este slogan-síntese do levante da multidão desde que tudo começou. Em sua grandeza ontológica, para mim essas cinco palavras dizem tudo sobre as motivações profundas do ingresso dessa geração bela, altruísta e indomável na ação política direta. Traduzem a revolta contra tudo que as cidades, a “ordem” e o “sistema” negam aos pobres em geral e aos jovens pobres em particular.
Revolta, não ressentimento. A revolta é alegre, positiva, fecunda, generosa, liberadora. O ressentimento é triste, negativo, estéril, mesquinho, aprisionador. Hoje o ressentimento é apanágio dos aparelhos esquerdoides com sua tara em “pautar”, “organizar”, “disciplinar”, verticalizar, cooptar, subordinar, parasitar. E também de uma intelectualidade genuflexa, de aluguel, cúmplice da repressão, que espuma sua ira diante de uma realidade pulsante que não cabe nos risíveis jargões, esqueminhas e “marcos teóricos” em que se viciou.
