Hoje é Dia das Crianças. Data comercial, menos importante economicamente que o Natal, o Dia das Mães e o Dia dos Namorados (nessa ordem) mas, ainda assim, com um significado para muita gente – e, portanto, a ser respeitada. Mas enquanto alguns desembrulham seus carrinhos e bonecas (ou videogames, celulares e iPods), outros vão passar o sábado trabalhando. No máximo, darão uma paradinha para ir à missa, devido a hoje também ser o Dia da Padroeira do Brasil.
As Nações Unidas estipularam a meta de acabar em 2016 com as piores formas de exploração infantil. Não vai dar. Nem lá fora, nem aqui. Apesar da queda no trabalho infantil no Brasil e dos avanços em vários cantos do mundo, não temos agido com a velocidade necessária para combater a miséria e a pobreza (que empurram crianças para a degradação e não garante oportunidades de educação, cultura, lazer, saúde, enfim, dignidade), a impunidade (que garante a certeza de liberdade para quem rouba a infância) e a ganância (a facilidade de ganho fácil de quem explora esse tipo de mão de obra barata em suas cadeias produtivas).
Para cumprir a meta proposta, seria necessário se retirar do trabalho infantil as mais de 168 milhões de crianças e adolescentes ainda envolvidos no problema em 2012 – 85 milhões das quais nas piores formas de trabalho. Em 2000, o número global era de 246 milhões de crianças e adolescentes. Segundo Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social, há 2 milhões de jovens acima de 16 anos trabalhando no Brasil, além de 1,5 milhão com menos de 16 anos.
Cansei de ouvir e presenciar histórias dessas crianças e adolescentes nos últimos anos. É menina subindo em boleia de caminhão em posto de gasolina entre o Tocantins e o Maranhão, adolescente explorada sexualmente para benefício dos trabalhadores das obras da usina de Belo Monte, crianças libertadas na produção de frutas, batata, cebolas, entre outros, no rico interior de São Paulo, menino que perdeu a visão ao tropeçar na colheita de cacau, crianças quebrando pedras para sobreviver, trabalhando em residências em tempo integral… Conto duas delas: