cultura, mídia e política: cultura
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15 de outubro de 2013

Homem de Ferro, herói do Capitalismo

Não é segredo para ninguém que a criação de super-heróis tem uma motivação ideológica, como, aliás, praticamente tudo feito por pessoas. Nós, assim como os super-heróis, não existimos no vácuo; as coisas que dizemos ou os vilões que eles enfrentam têm relação direta com a nossa cultura e oferecem um retrato bem posicionado no espaço e no tempo sobre o mundo ao nosso redor.




E o Homem de Ferro diz muito sobre a sociedade que o criou. Ele consegue representar mais nitidamente os valores norte-americanos do que o próprio Capitão América, e nem precisa da bandeira dos Estados Unidos pintada no peito para conseguir isso. Não estou exagerando tanto assim. É só lembrar de como e quando ele surgiu. Os fãs que fizeram o dever de casa sabem que o Homem de Ferro foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, e que sua primeira aparição foi em Tales of Suspense #39, com o traço do artista Don Heck.
Bem, e daí? E daí que a época era de Guerra Fria. Estados Unidos de um lado e União Soviética do outro. Um período tenso, marcado por espionagem, trocação de farpas e muita propaganda política. E propaganda funciona assim: você pega um produto marromeno e apresenta ele de forma legal. No caso, os “produtos” concorrentes eram o capitalismo de um lado, o socialismo e o comunismo do outro.
É aí onde entram os quadrinhos, que funcionaram muito bem como propaganda.

13 de outubro de 2013

Afasta de nós esse cale-se

Grupo que tenta cercear biografias se esquece de que figuras públicas não têm vida privada


Nem todas as atenções dos últimos dias se concentraram nas bodas de Marina e Eduardo e na avaliação das razias dos black blocs. Nas mídias e conversas, as dúvidas e controvérsias geradas pela adesão de Marina ao PSB e o racha entre os que apoiam e execram a ação dos nossos squadristi mascarados tiveram de dividir o proscênio com duas celeumas envolvendo escritores e artistas.
A segunda celeuma, a rigor, não eclodiu em Frankfurt, mas lá encontrou uma providencial câmara de eco. De um lado, sete músicos (Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan) tentando impor limites à produção de biografias não autorizadas; de outro, um vasto contingente de biógrafos, escritores, editores, intelectuais, atores e mesmo músicos contrários a qualquer obstáculo que possa inibir ou restringir a liberdade de expressão. A cisão não é recente, mas atingiu seu ponto de ebulição no fim da semana retrasada, com uma entrevista da empresária e ex-mulher de Caetano Paula Lavigne, ideóloga e líder da cruzada contra o livre exercício do biografismo. Partindo do princípio de que o Código Civil protege igualmente o público e o privado, ela e seus templários reivindicam uma compatibilização do direito constitucional à liberdade de expressão com o direito à "inviolabilidade da vida privada e da intimidade", como se isso fosse exequível sem ferir, com letais consequências, o princípio maior da livre manifestação do pensamento.

Ed Ferreira/Estadão
Caetano & cia. defenderam a ditadura do livro chapa-branca
Ambas tiveram como palco privilegiado a Feira de Livros de Frankfurt, na Alemanha, onde o Brasil foi homenageado ao custo de R$ 18,9 milhões aos cofres públicos ("Se os empresários do mercado editorial brasileiro precisassem da homenagem da feira, poderiam recebê-la, com o dinheiro deles", criticou o comentarista político Elio Gaspari, que também sugeriu que se aplicasse a dinheirama da viúva na restauração da Biblioteca Nacional). A comitiva brasileira mal tivera tempo de curtir a maioria dos estandes da Buchmesse quando os escritores Paulo Coelho e Paulo Lins questionaram a representatividade do grupo de autores selecionados pelo governo brasileiro. Coelho exigia a presença de mais ficcionistas best-sellers e, indignado, desembarcou do "trem da alegria". Lins criticou a ausência de outros autores negros, mas permaneceu em seu vagão.

11 de outubro de 2013

10 textos para 20 vozes

Mais uma dica da Laila (www.twitter.com/lailabou). Feito por Marcelo Noah e Isabel Ramil, este vídeo bacanérrimo intitulado Vozes traz textos / falas / qualquer coisa semelhante lidos pelos próprios autores. Não consegui identificar todas as obras – os ruídos do dadaísmo de Schwitters e do surrealismo de Artaud me deixaram tão desorientado quanto o russo de Maiakóvski. Em outros casos, arrisquei um palpite, embora tenha continuado em dúvida. Se alguém puder me ajudar a completar as lacunas, agradecerei.






Para compensar minha ignorância, transcrevi e aumentei alguns dos trechos lidos, os que valiam mais a pena. Na ordem do vídeo:
1) America, de Walt Whitman
“Centre of equal daughters, equal sons, All, all alike endear’d, grown, ungrown, young or old, Strong, ample, fair, enduring, capable, rich, Perennial with the Earth, with Freedom, Law and Love, A grand, sane, towering, seated Mother, Chair’d in the adamant of Time.”
2) Kurt Schwitters – ?
3) Pneumotórax, Manuel Bandeira
“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três…— Respire .
………………………………………………………………………………………………… — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
 — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”

Onde está o conhecimento agora?

Pergunta provocativa do Nicholas Carr sobre se o Google está nos tornando estúpidos, desenvolvido em seu livro "Superficiais", encontra sua melhor réplica se atualizado sobre as últimas do David Weinberger: Too Big to Know ("incompreensível") . Um livro essencial para compreender o impacto da Internet no conhecimento.

Weinberger , um dos pensadores mais importantes da cibercultura, não fica atrás quando se trata de causa e faz com que o subtítulo do seu livro em um pequeno manifesto: "repensar o conhecimento agora que os fatos são os fatos, os especialistas estão em em todos os lugares, e a pessoa mais inteligente da sala é a sala".

O trabalho eleva o conhecimento do processo de deslocamento de livros, especialistas e instituições para as redes e comunidades online. A ciência continua a ser um sistema de publicação, que opera através da eliminação e se torna uma rede que funciona através da dissolução das fronteiras entre obras de adição (hipertexto), abrindo a porta para novas vozes (Wikipedia) e as paredes da academia (cursos on-line para as massas).

Tendo os livros encadernados como paradigma do conhecimento refinado (ameaçado na visão de Carr para o excesso de redes) , Weinberger entende, paradoxalmente, que a única resposta para a sobrecarga de informação é obter mais informações (metadados), e que precisamente as redes, são muito mais adequadas do que os livros para construir, ampliar e revisar o conhecimento.

por José Luis Orihuela

tradução por Tiago Aguiar